UM AMOR DIGNO DE PENA
Pensando que algo poderia ter mudado no momento em que eu vejo alguém muito especial para mim, me sinto estático, nada posso fazer. Passar despercebido? Vale a pena? Uma antiga paixão, de infância. Nesse momento apenas faz-se uma amizade. Constrangedor, na minha opinião, mas que deve ser esquecido. Em uma eternidade pensei que teria uma chance, uma oportunidade de quão feliz eu poderia fazer alguém ao meu lado. Não sei se sirvo para alguém, não para alguém que amo e amei de verdade. Por que as lágrimas da solidão e da desesperança doem tanto? Me sinto inútil, algo imprestável para muitos ou todos. Gostaria de gritar ao mundo tudo que eu sinto, mas nada sai, estou preso dentro de minhas próprias desilusões. Não tenho como agir só, muito menos por alguém que me deixou só durante quatro longos anos da minha vida. Gostaria de saber se todos nossos momentos juntos, poucos que tenham sido não fizeram valer nada? Penso que o mal poderia ter passado, muito pelo contrário, apenas começou. Nunca pensei que iria sofrer de verdade por alguém que sempre foi o único ser vivente na face da terra pelo qual dediquei todos os meu anos de existência ao lado dele. É cruel, doloroso e mudo. É uma coisa que prendo dentro de mim há anos e que continuará preso pelo resto da minha vida, suponho. Mas o que posso fazer? Nada, como todo o sempre, como sempre foi.
É absolutamente normal existir as “paixonites”, pessoas que acha que está apaixonado, mas na verdade quer apenas curtir. Verdadeiras paixões existem de verdade, e, de fato, sofremos por isso. Tenho minha paixão de muito tempo, que continuará a ser uma paixão fantasma, sombria, infundavelmente obscura. Posso dizer que matei todas as minhas saudades? Certo que não. Há muito mais que uma simples saudade me consumindo por ele. Até parece que aquela conversa de séculos atrás não surtiu o menor efeito. A única solução para este caso, é deixá-lo ao acaso. Fingir que nada aconteceu, que nada me feriu, que nada me lacerou um dia.
Posso ignorá-lo para sempre como se fosse uma “paixonite” qualquer e temer um futuro insólito e incerto para mim, como se ele nunca tivesse existido para mim um dia, há vários anos atrás que mudou completamente minha vida.
Choro de dor... de compaixão de mim mesmo, de ser excepcionalmente diferente de todos, mas essa doeu de verdade, muito. Os opostos se atraem... e os semelhantes mais ainda. Quero acreditar que todos os meus conceitos estão errados, para não mais precisar sofrer novamente.
Não posso misturar esses sentimentos e piedade e humilhação. É algo que acontece, algo que deve ser enterrado em lugares distantes e intocáveis, perdidos e irreconhecíveis, para que nunca volte à memória daquele que um dia sofreu e decidiu esquecer. Lavar as páginas sangrentas de um diário com lágrimas é o maior absurdo para com um verdadeiro amor. Por isso ignoro meus piores sentimentos e torno a viver eternamente só, como acho que sempre fui.
Estevão Karas
09/08/10
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
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